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quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Contas de 75 servidores da Alerj têm movimentação suspeita, afirma Coaf

Ex-assessor de Flávio Bolsonaro recebia mesmo quando estava fora do país. Maior movimentação envolveu quatro pessoas ligadas ao gabinete de André Ceciliano (PT).

O Coaf encontrou movimentação financeira suspeita nas contas de 75 servidores e ex-servidores de deputados estaduais do Rio e um ex-assessor de Flávio Bolsonaro recebia mesmo em períodos em que estava fora do país.

Um conjunto de prédios na Zona Oeste do Rio é o terceiro endereço ligado à família de Fabrício José Carlos de Queiroz. Nesta quarta-feira (12), o porteiro disse que o ex-assessor do deputado e senador eleito pelo PSL, Flávio Bolsonaro, mora no local.

“Faz mais de semana que eu não vejo ele”.

As duas filhas e a mulher de Fabrício de Queiroz também trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro. Os nomes delas aparecem no relatório do Coaf que apontou para uma movimentação suspeita na conta de Fabrício de R$ 1,2 milhão em um ano.

O relatório mostra que parte desse dinheiro vinha de depósitos feitos por nove assessores e ex-assessores do gabinete. Um desses assessores era Wellington Sérvulo Romano da Silva. O JN foi à casa dele, mas o porteiro deu uma informação curiosa.

“Ele está em Portugal, tem uns dois anos ou mais, 2015 por aí. A família está toda lá, resolveram se mudar para lá”.

Wellington é tenente-coronel da Polícia Militar e foi nomeado em abril de 2015 para trabalhar como assessor de Flávio Bolsonaro na vice-liderança do PP, partido do deputado na época.

Tivemos acesso aos registros dele na Alerj e às viagens que ele fez, sempre pela mesma companhia aérea, a TAP.

No dia 24 de abril de 2015, nove dias depois de ter sido nomeado, Wellington viajou para Portugal, onde ficou 44 dias. Nesse período recebeu o salário e gratificações da Alerj: total de R$ 5.400 por mês.

Ainda em 2015 viajou outras quatro vezes para Portugal. Naquele ano foram 119 dias fora do Brasil. A última viagem do ano foi em 16 de dezembro. Wellington só voltou ao Brasil em 31 de janeiro de 2016. Em março, outra viagem. Saiu dia 9 e voltou 8 de abril.
Enquanto estava fora do Brasil, Wellington foi dispensado do trabalho na vice-liderança do PP. O documento é do dia 1º de abril. Nos registros da Alerj ele não aparece na lista de pagamentos nos meses de abril e maio.

Mas não foi uma demissão. No dia 18 de maio Wellington foi nomeado para trabalhar no gabinete do deputado Flávio Bolsonaro. Dois dias depois ele embarcou no voo TAP 0070, das 22h45, com destino a Lisboa. Foram mais 15 dias fora do país.

Em 15 de julho Wellington viajou de novo: 45 dias longe do Brasil e do trabalho.

No dia 1º de setembro de 2016 Wellington Sérvulo Romano da Silva foi dispensado mais uma vez do cargo e não voltou mais a trabalhar com o deputado Flávio Bolsonaro.

A Alerj informou que, durante todo o período em que ele esteve na casa, nunca tirou licença. Em um ano e quatro meses em que trabalhou para Flávio, Wellington ficou fora do país por 248 dias - a metade do período.

Numa rede social a mulher de Wellington diz que a cidade onde mora atualmente é Aveiro, em Portugal.

O RJ2 mostrou na semana passada que outros 74 funcionários e ex-funcionários da Assembleia também estão no relatório do Coaf. O total dessas operações chega a R$ 207 milhões. São pessoas que trabalham ou trabalharam em pelo menos 21 gabinetes de deputados estaduais de 14 partidos (Avante, DEM, MDB, PDT, PHS, PRB, PSB, PSC, PSD, PSDB, PSL, PSOL, PT e Solidariedade).

A maior movimentação de valores envolveu quatro pessoas ligadas ao gabinete do presidente em exercício da Assembleia, André Ceciliano, do PT, R$ 49 milhões.

Cinco pessoas ligadas ao gabinete do deputado Paulo Ramos, do PDT, movimentaram R$ 30 milhões.

Nove pessoas do gabinete do deputado Márcio Pacheco, do PSC, candidato à presidência da Alerj, R$ 25 milhões.
Oito pessoas do gabinete do deputado Luiz Martins, do PDT, que foi preso em novembro, R$ 18,5 milhões.

Cinco pessoas ligadas ao gabinete do deputado Doutor Deodalto, do DEM, movimentaram R$ 16,3 milhões.

E cinco pessoas ligadas ao gabinete do deputado Carlos Minc, do PSB, que já foi ministro do Meio Ambiente, R$ 16 milhões.

O Ministério Público Federal ressaltou que nem todos os nomes citados no relatório do Coaf foram incluídos nas apurações e que nem todas as movimentações suspeitas são, necessariamente, ilícitas. Como o relatório indicava a existência de movimentações atípicas de outras pessoas que não foram alvos da operação federal, os procuradores encaminharam essa parte da documentação para o Ministério Público estadual.

O MP do Rio abriu uma investigação, que corre em sigilo.

O que dizem os citados
Flávio Bolsonaro declarou que não procede a informação de que Wellington Sérvulo morava em Portugal enquanto estava lotado no gabinete na Alerj. Segundo Flávio, a família de Wellington tem cidadania portuguesa e se mudou para lá.

Flávio disse ainda que Wellington os visitava esporadicamente e que trabalhou normalmente no gabinete até ser exonerado.

Flávio Bolsonaro considerou o depósito de R$ 1.500 corriqueiro e pontual e disse que não pode ser cobrado por isso.

Flávio Bolsonaro reitera que não é investigado, mas está à inteira disposição das autoridades.

O presidente eleito Jair Bolsonaro disse numa rede social que ele e o filho não são investigados, mas que, se ficar comprovada alguma ilegalidade, vão pagar pelo erro. Jair Bolsonaro disse ainda que espera que tudo seja esclarecido o mais rápido possível.

André Ceciliano ressaltou que constar no relatório não significa que os assessores tenham praticado condutas ilícitas.

Márcio Pacheco afirmou que sete dos nove funcionários não trabalham mais no gabinete e que está apurando o caso.

Paulo Ramos disse que pessoas de bem têm as vidas pessoais e profissionais ilegalmente devassadas por serem assessores parlamentares.

Carlos Minc afirmou que não é investigado e que a movimentação de um assessor se refere a uma herança.

Doutor Deodalto disse que todos os citados prestarão os esclarecimentos quando necessário.

O Solidariedade declarou que desconhece os fatos, mas entende que todos os citados prestarão os devidos esclarecimentos.
Fonte - Jornal nacional rede globo

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