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Rússia e Ucrânia compartilham responsabilidade por mortes em casa de repouso, aponta relatório

 No dia 11 de março deste ano, um ataque das tropas da Rússia atingiu uma casa de repouso na região de Luhansk, leste da Ucrânia. Ainda hoje não é possível estabelecer o número preciso de mortos, sendo que ao menos 22 pessoas, entre 71 pacientes e 15 funcionários, sobreviveram. Até então, a responsabilidade vinha sendo exclusivamente atribuída a Moscou. Entretanto, um novo relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) afirma que as forças ucranianas são igualmente culpadas pelo trágico episódio.



O ataque gerou um incêndio na clínica, matando idosos incapazes de se locomover sem ajuda. Alguns funcionários e pacientes conseguiram fugir para uma floresta próxima, caminhando cerca de cinco quilômetros até obterem ajuda. Foram amparados por “grupos armados afiliados russos”, diz o relatório do ACNUDH (Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humano), em referência a tropas separatistas da região de Donbass, que compreende as autoproclamadas repúblicas populares de Luhansk e Donetsk.

Pouco após o ocorrido, o governador de Luhansk, Sergei Haidai, afirmou no aplicativo de mensagens Telegram que 56 pessoas foram “deliberadamente” mortas por “ocupantes russos” que “dispararam à queima-roupa de um tanque”. Já Viktoria Serdyukova, comissária de direitos humanos do governo separatista local, responsabilizou as tropas de Kiev, conforme comunicado de 23 de março. Ela alegou que pacientes e funcionários foram feitos reféns, com muitos deles “queimados vivos” pelos ucranianos.


Segundo o documento do ACNUDH, porém, Kiev e Moscou têm parcelas equivalentes de culpa. Isso porque, quatro dias antes do ataque, soldados ucranianos se posicionaram dentro do edifício, que “tinha valor estratégico devido à proximidade a uma importante estrada”. Assim, o prédio tornou-se um alvo militar dos russos, e as duas partes iniciaram o confronto.


“No início de março de 2022, quando as hostilidades ativas se aproximaram da casa de repouso, sua administração solicitou repetidamente às autoridades locais que evacuassem os moradores. Isso seria impossível, pois as forças armadas ucranianas supostamente minaram a área circundante e bloquearam estradas”, diz o relatório.


O combate começou no dia 9 de março, envolvendo as forças separatistas e os soldados ucranianos. “É incerto quem abriu fogo primeiro”, diz relatório, segundo o qual “durante esta primeira troca de tiros, nenhum funcionário ou paciente ficou ferido”. Dois dias depois, os russos intensificaram o ataque, agora com armamento pesado e ainda com pacientes e funcionários dentro do edifício. Então, “um incêndio começou e se espalhou pela casa de repouso enquanto o combate estava em andamento”.


Por que isso importa?

A escalada de tensão entre Rússia e Ucrânia, que culminou com a efetiva invasão russa ao país vizinho, no dia 24 de fevereiro, remete à anexação da Crimeia pelos russos, em 2014, e à guerra em Donbass, que começou naquele mesmo ano. Aquele conflito foi usado por Vladimir Putin como argumento para justificar a invasão integral, classificada por ele como uma “operação militar especial”.


“Tomei a decisão de uma operação militar especial”, disse Putin pouco depois das 6h de Moscou (0h de Brasília) de 24 de fevereiro. Cerca de 30 minutos depois, as primeira explosões foram ouvidas em Kiev, capital ucraniana, e logo em seguida em Mariupol, no leste do país.


No início da ofensiva, o objetivo das forças russas era dominar Kiev, alvo de constantes bombardeios. Entretanto, diante da inesperada resistência ucraniana, a Rússia foi forçada a mudar sua estratégia. As tropas, então, começaram a se afastar de Kiev e a se concentrar mais no leste ucraniano, a fim de tentar assumir definitivamente o controle de Donbass e de outros locais estratégicos naquela região.


Em meio ao conflito, o governo da Ucrânia e as nações ocidentais passaram a acusar Moscou de atacar inclusive alvos civis, como hospitais e escolas, dando início a investigações de crimes de guerra ou contra a humanidade cometidos pelos soldados do Kremlin.


O episódio que mais pesou para as acusações foi o massacre de Bucha, cidade ucraniana em cujas ruas foram encontrados dezenas de corpos após a retirada do exército russo. As imagens dos mortos foram divulgadas pela primeira vez no dia 2 de abril, por agências de notícias, e chocaram o mundo.


O jornal The New York Times realizou uma investigação com base em imagens de satélite e associou as mortes em Bucha a tropas russas. As fotos mostram objetos de tamanho compatível com um corpo humano na rua Yablonska, entre 9 e 11 de março. Eles estão exatamente nas mesmas posições em que foram descobertos os corpos quando da chegada das tropas ucranianas, conforme vídeo feito por um residente da cidade em 1º de abril.


Fora do campo de batalha, a Rússia tem sido alvo de todo tipo de sanções. As esperadas punições financeiras impostas pelas principais potencias globais já começaram a sufocar a economia russa, e o país tem se tornado um pária global. Desde a invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro, quase mil empresas ocidentais deixaram de operar na Rússia, seja de maneira temporária ou definitiva, parcial ou integral.


Os mortos de Putin

Desde que assumiu o poder na Rússia, em 1999, o presidente Vladimir Putin esteve envolvido, direta ou indiretamente, ou é forte suspeito de ter relação com inúmeros eventos, que levaram a dezenas de milhares de mortes. A lista de vítimas do líder russo tem soldados, civis, dissidentes e até crianças. E vai aumentar bastante com a guerra que ele provocou na Ucrânia.


Na conta dos mortos de Putin entram a guerra devastadora na região do Cáucaso, ações fatais de suas forças especiais que resultaram em baixas civis até dentro do território russo, a queda suspeita de um avião comercial e, em 2022, a invasão à Ucrânia que colocou o mundo em alerta.


A Referência organizou alguns dos principais incidentes associados ao líder russo


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