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Ucrânia diz que investiga mais de 21 mil crimes de guerra atribuídos às tropas da Rússia

 Segundo a procuradora-geral ucraniana Iryna Venediktova, o escritório dele tem recebido entre 200 e 300 denúncias por dia

O governo da Ucrânia, através do gabinete da procuradora-geral Iryna Venediktova, afirmou na quinta-feira (7) que estão em andamento investigações de 21.897 crimes de guerra atribuídos às tropas russas durante o conflito iniciado no dia 24 de fevereiro. As informações constam de um infográfico publicado no Facebook.

Venediktova disse à rede britânica BBC que recebe por dia entre 200 e 300 denúncias. Embora admita que a maioria dos casos será julgada à revelia, vez que os acusados não foram capturados, ela afirmou que prosseguir com as ações judiciais é “uma questão de justiça”.

Dirigindo-se aos soldados russos que cometeram abusos no conflito, a procuradora-geral afirmou que eles “devem entender que é apenas uma questão de tempo até que todos estejam no tribunal”. Também lamentou que muitos casos não sejam investigados “de forma adequada e eficaz” por falta de acesso das autoridades, em possível referência às regiões ucranianas ocupadas por Moscou.

As investigações de crimes de guerra conduzidas por Kiev contam com o suporte ocidental, que ajuda a financiar os esforços do governo ucraniano e também tem suas próprias equipes em ação. A Alemanha, por exemplo, disse no final de junho que analisa centenas de crimes de guerra possivelmente cometidos por tropas da Rússia.

Na mira das autoridades alemãs não estariam apenas os soldados do exército russo diretamente acusados de tais crimes. Também estariam sob investigação oficiais de alta patente e políticos suspeitos de ordenar os abusos.

A Alemanha opera sob jurisdição universal, o que permite a um país estrangeiro processar crimes contra a humanidade, crimes de guerra e genocídio, independentemente de onde foram cometidos. Existe a expectativa de que eventuais acusados sejam julgados não apenas em cortes internacionais, como o Tribunal Penal Internacional (TPI), mas também em tribunais alemães.

Quem também atua nesse sentido é o próprio TPI, que vê na guerra uma forma de reduzir as críticas recebidas desde sua fundação, há 20 anos. Nesse período, a corte conseguiu apenas três condenações por crimes de guerra e outras cinco por interferência na Justiça. Habitualmente, o maior desafio é conduzir os acusados a Haia, onde fica a sede. Isso porque a entidade não tem uma força policial própria e depende da atuação das autoridades nacionais para realizar detenções.

O fato de a Rússia não ser membro do TPI é um dos problemas que a corte precisará enfrentar caso venha a condenar cidadãos russos. Isso porque dificilmente Moscou disponibilizará voluntariamente os acusados para que cumpram suas penas, o mesmo problema que levará a Ucrânia a realizar julgamentos à revelia.

No início de junho, a Comissão Europeia anunciou que destinaria 7,25 milhões de euros ao TPI, a fim de apoiar as investigações. “Neste contexto, é crucial garantir o armazenamento seguro de provas fora da Ucrânia, bem como apoiar as investigações e processos por várias autoridades judiciárias europeias e internacionais”, disse o órgão na ocasião.

Milhares de civis mortos
Na última terça-feira (5), a ONU (Organização das Nações Unidas) relatou mais de dez mil vítimas civis na guerra, entre mortos e feridos, e afirmou que as hostilidades “aparentemente não têm fim à vista”. Foram citados casos diversos, como estupro, tortura, recrutamento forçado, execuções sumárias, restrições à liberdade de movimento e estrutura civil danificada intencionalmente.

“Até 3 de julho, documentamos mais de 10.000 mortes ou ferimentos de civis em toda a Ucrânia, com 335 crianças entre as 4.889 documentadas como mortas”, diz relatório assinado por Michelle Bachelet, alta comissária da ONU para os direitos humanos. Entretanto, como faz desde o início do conflito, ela disse que os “os números reais são provavelmente consideravelmente maiores” devido à subnotificação.

Embora ressalte que a enorme maioria dos abusos é atribuída às tropas russas e a “grupos armados afiliados“, referência a organizações como o Wagner Group, o relatório afirma que “também parece provável que as forças armadas ucranianas não tenham cumprido integralmente o DIH (direito internacional humanitário) nas partes orientais do país”.

O massacre de Bucha
A pressão global por punições à Rússia, às suas tropas e ao presidente Putin aumentou bastante depois que os corpos de dezenas de pessoas foram encontrados nas ruas de Bucha, quando as tropas locais reconquistaram a cidade três dias após a retirada do exército russo. As imagens dos mortos foram divulgadas pela primeira vez no dia 2 de abril, por agências de notícias, e chocaram o mundo.

As fotos mostram pessoas mortas com as mãos amarradas atrás do corpo, um indício de execução. Outros corpos aparecem parcialmente enterrados, com algumas partes à mostra. Há também muitos corpos em valas comuns. Nenhum dos mortos usava uniforme militar, sugerindo que as vítimas são civis.

“O massacre de Bucha prova que o ódio russo aos ucranianos está além de qualquer coisa que a Europa tenha visto desde a Segunda Guerra Mundial”, disse o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, em sua conta no Twitter.

Moscou, por sua vez, nega as acusações. Através do aplicativo russo de mensagens Telegram, o Ministério da Defesa russo disse que, “durante o tempo em que a cidade esteve sob o controle das forças armadas russas, nenhum morador local sofreu qualquer ação violenta”. O texto classifica as denúncias como “outra farsa, uma produção encenada e provocação do regime de Kiev para a mídia ocidental, como foi o caso em Mariupol com a maternidade“.

Entretanto, imagens de satélite da empresa especializada Maxar Technologies derrubam o argumento da Rússia. O jornal The New York Times realizou uma investigação com base nessas imagens e constatou que objetos de tamanho compatível com um corpo humano aparecem na rua Yablonska entre 9 e 11 de março. Eles estão exatamente nas mesmas posições em que foram descobertos os corpos quando da chegada das tropas ucranianas, conforme vídeo feito por um residente da cidade em 1º de abril.

Mais recentemente, Kiev alegou que apenas em Mariupol, que tem sido o principal alvo das tropas russas, foram encontrados ao menos 20 mil corpos de civis mortos. E acusa os soldados russos de depositarem cerca de nove mil cadáveres em valas comuns em Manhush, uma vila próxima à cidade portuária. Ao levar os corpos para outra localidade, o objetivo das tropas de Moscou seria esconder as evidências de crimes.

Vadym Boychenko, prefeito de Mariupol, comparou a descoberta ao massacre de Babi Yar, um fuzilamento em massa comandado nas proximidades de Kiev pelos nazistas em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial. Os corpos de cerca de 33 mil pessoas, essencialmente judeus, foram encontrados em valas comuns na ocasião.

“O maior crime de guerra do século 21 foi cometido em Mariupol. Este é o novo Babi Yar. Então, Hitler matou judeus, ciganos e eslavos. Agora, Putin está destruindo os ucranianos”, disse Boychenko. “Precisamos fazer tudo o que pudermos para impedir o genocídio”.

Os mortos de Putin
Desde que assumiu o poder na Rússia, em 1999, o presidente Vladimir Putin esteve envolvido, direta ou indiretamente, ou é forte suspeito de ter relação com inúmeros eventos, que levaram a dezenas de milhares de mortes. A lista de vítimas do líder russo tem soldados, civis, dissidentes e até crianças. E vai aumentar bastante com a guerra que ele provocou na Ucrânia.

Na conta dos mortos de Putin entram a guerra devastadora na região do Cáucaso, ações fatais de suas forças especiais que resultaram em baixas civis até dentro do território russo, a queda suspeita de um avião comercial e, em 2022, a invasão à Ucrânia que colocou o mundo em alerta.

A Referência organizou alguns dos principais incidentes associados ao líder russo.

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