RJ bate recorde na apreensão de fuzis em 2019; número de mortes por intervenção policial é o maior nos últimos 20 anos


Estado apreendeu 145 fuzis no primeiro trimestre de 2019, maior número desde 2007. No entanto, morte por intervenção policial é a maior desde 1998, foram 434 no primeiro trimestre de 2019.

Dois números do último balanço trimestral da Segurança Pública divulgado no estado do Rio - relativos a janeiro, fevereiro e março de 2019 - se destacam na série histórica do estado. A quantidade de fuzis apreendidos foi a maior desde 2007, com 145 armas recolhidas. No entanto, o número de mortes por intervenção policial foi o maior dos últimos 20 anos: 434 casos.

A polícia do RJ apreendeu nos três primeiros meses do ano, 25 fuzis a mais do que no mesmo período de 2018. Neste total, não foram contabilizados os mais de 100 fuzis incompletos apreendidos na casa de Ronnie Lessa, preso por envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco. Essa apreensão foi notificada como "parte de armas".

Se por um lado, há menos armas circulando na mão de criminosos, mais pessoas morreram no Rio de Janeiro neste período em intervenções policiais. As mais de 400 mortes representam o maior número registrado desde 1998. Os dados apontam que o estado teve uma média de sete pessoas mortas por dia. No ano passado, foram 368 mortes no mesmo período.
Os dados são do Instituto de Segurança Pública do Rio (ISP).

O G1 entrou em contato com o governo do estado do Rio para saber o posicionamento a respeito dos números. A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Polícia Militar do Rio de Janeiro afirmou que "as operações da Corporação são pautadas por planejamento prévio e executadas dentro da lei. Nas ações em áreas conflagradas, a missão da Polícia Militar é primordialmente a prisão de criminosos e apreensão de arma e drogas".

"Muitas vezes, no entanto, os criminosos fazem a opção pelo enfrentamento, dando início ao confronto. Quando a operação policial resulta em mortes ou feridos, um Inquérito Policial Militar é aberto para apurar as circunstâncias do fato", acrescentou a PM.

O texto também afirma que "em relação aos números do Instituto de Segurança Pública (ISP) referentes a março, o mais importante é ressaltar a queda de 32% nos homicídios dolosos, representando a menor taxa para o mês em 28 anos. O indicador letalidade violenta também diminuiu 24% em relação a março de 2018".

13 mortos no Fallet, Santa Teresa
Entre os casos de mortes envolvendo a polícia que aconteceram no primeiro trimestre está o tiroteio que em fevereiro deixou 13 pessoas mortas nas comunidade do Fallet-Fogueteiro, em Santa Teresa, no Centro do Rio.

De acordo com informações da Polícia Militar, suspeitos participavam de um confronto com agentes do Comando de Operações Especiais (COE). A operação contou também com homens do Bope e do Batalhão de Choque. Segundo a polícia, a ação foi para combater o tráfico de drogas.
A PM relata que as equipes foram recebidas a tiros durante o vasculhamento e houve confronto. Dois baleados foram levados ao Souza Aguiar. Em outro ponto, armas foram apreendidas.

O G1 apurou que na casa onde foram encontrados nove mortos havia pelo menos 128 perfurações. Após suspeitas levantadas por depoimentos ouvidos pela Defensoria Pública, que incluem relatos de execução, tortura e mutilação dos corpos, a Polícia Civil fez uma reconstituição da ação.
Na semana passada, em uma apreensão que ainda não entrou nos números divulgados pelo ISP, policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar encontraram, durante uma operação no Complexo do Alemão, na Zona Norte, seis fuzis, uma metralhadora Browning M1919 calibre .30, granadas e diversas munições.

O governador do Rio, Wilson Witzel, posou para uma foto segurando a metralhadora. Segundo informações da assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar, os PMs do Batalhão de Choque foram atacados por criminosos quando chegaram na comunidade da Fazendinha, umas das favelas do Complexo do Alemão.
Vale lembrar que também não entram na conta do ISP para o primeiro trimestre a apreensão, pela Divisão de Homicídios (DH) da Polícia Civil do Rio de Janeiro, de 117 fuzis incompletos, do tipo M-16, na casa de um amigo do policial militar Ronnie Lessa no Méier, na Zona Norte do Rio.

De acordo com investigações da DH e Ministério Público, Lessa foi responsável por atirar na vereadora Marielle Franco e no motorista Anderson Gomes no dia 14 de março de 2018. Ele nega o crime.

As armas, todas novas, estavam desmontadas em caixas – só faltavam os canos. A polícia investiga se Lessa trafica armas e escondia o material no imóvel.

Postar um comentário

0 Comentários