Acusado de matar namorada em teste de fidelidade vai a novo júri nesta quarta, 23, em RO

Ismael será julgado pela terceira vez pelo crime em Cerejeiras. Entenda a trajetória do caso.



Ismael José da Silva, acusado de matar a namorada de 17 anos em um suposto teste de fidelidade, vai ser julgado novamente pelo Tribunal do Júri em Cerejeiras (RO), região do Cone Sul. O 3° julgamento do réu será nesta quarta-feira (23).

A determinação de um novo julgamento acontece porque a defesa do réu e Ministério Público Estadual (MP-RO) recorrerem da sentença do júri realizado em agosto de 2018.

Ismael será julgado novamente pelos crimes de homicídio qualificado (motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e feminicídio) e ocultação de cadáver.
Ismael chega ao Fórum para novo júri — Foto: Renato Barros/Rede Amazônica


Acompanhado do advogado e familiares, Ismael chegou ao Fórum de Cerejeiras por volta de 8h30. Ele não falou com a imprensa e seguiu diretamente para o plenário.

O júri começou depois de 9h e é presidido pela juíza Ligiane Zigiotto Bender. Ao todo, serão ouvidas três testemunhas chamadas pelo MP-RO e cinco pela defesa de Ismael.

Assassinato após 'teste de fidelidade'
Jéssica Hernandes Moreira, a namorada de Ismael, desapareceu em 20 de abril de 2017, depois que saiu de casa de bicicleta. No mesmo dia, familiares registraram uma ocorrência na polícia informando o sumiço da jovem.

No dia 24 de abril, o corpo da jovem foi localizado na Linha 4, zona rural de Cerejeiras. Duas mulheres que faziam caminhada pela estrada sentiram um forte cheiro e encontraram o corpo envolto em uma lona. No dia seguinte, o namorado dela, Ismael, e o primo dele, Diego de Sá, foram presos suspeitos de envolvimento na morte.

Fórum de Cerejeiras — Foto: Renato Barros/Rede Amazônica
Na época, a polícia pontou que Ismael seria extremamente ciumento na relação e estava desconfiado de Jéssica, onde decidiu fazer um "teste de fidelidade".

Em seguida, Diego atraiu a jovem para um casa, dizendo que tinha provas de que o primo a havia traído. Na casa, Ismael ficou escondido enquanto Diego tentava uma confissão de traição da adolescente.

Ele contou que Jéssica assumiu uma traição, mas o delegado acredita que ela pode ter assumido apenas na intenção de descobrir também algo sobre a fidelidade de Ismael.

Após ouvir a suposta confissão, na versão de Diego, Ismael se descontrolou, deu um golpe com um pedaço de ferro na cabeça da garota, provocando o desmaio dela. Depois ele tomou uma faca e atacou a jovem, levando à morte dela.

1° júri de Ismael e primo
Em 9 de setembro de 2017, Ismael da Silva foi julgado e inocentado pelo crime de homicídio na 2ª Vara Criminal de Cerejeiras. No julgamento, ficou decidido que o primo dele, Diego Sá seria julgado no Tribunal do Júri por conter fortes indícios da participação dele na morte da jovem.

A absolvição ocorreu porque documentos e testemunhas mostraram que na hora provável da morte de Jéssica, Ismael estava na Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) da cidade com o acesso de computador logado na unidade.

Imagens de câmeras de segurança das proximidades do prédio e uma mensagem mandada por Ismael para Jéssica perguntando o que ela fazia também levaram o juiz a absolvê-lo.

Jéssica Moreira Hernandes tinha 17 anos quando foi morta. — Foto: Facebook/ Reprodução
2° julgamento
Em 9 de março de 2018, o TJ-RO reformou a decisão do juiz de Cerejeiras e determinou que Ismael também fosse julgado no Tribunal do Júri. A ordem do TJ para um novo julgamento foi dada após análise de recurso do MP.

No dia 24 de agosto de 2018, após dois dias de julgamento, foi anunciada a sentença e Ismael da Silva foi condenado a um ano de reclusão por ocultação de cadáver e Diego de Sá a 18 anos por homicídio qualificado e mais um ano por ocultação de cadáver. Ismael foi absolvido do crime de homicídio qualificado.

No fim de abril deste ano, o TJ anulou a decisão do júri que absolveu Ismael do crime de homicídio. No recurso que levou à anulação do julgamento, o MP argumentou que a decisão foi "manifestamente contrária à prova dos autos". O MP e a defesa de Diego também recorreram.

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