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Como funcionam as discussões da COP, a conferência do clima da ONU que é realizada no Egito

 Em sua 27ª edição, cúpula do clima conta com a participação de mais de 100 líderes mundiais. g1 explica como eles debatem e decidem o futuro climático do nosso planeta.


Uma conferência global com representantes de centenas de países que ocorre todos os anos e que tem como principal objetivo conter as consequências da crise climática causada pelo ser-humano.


Em resumo, esta é a definição da COP, a conferência do clima da ONU, que desta vez entra em sua 27ª edição e acontece em Sharm el-Sheikh, no Egito, até o final da próxima semana.

Na cúpula, entre outros temas, os países participantes revisam seus compromissos de manter o aquecimento global bem abaixo de 2°C acima dos níveis pré-industriais, buscam esforços globais para limitá-lo a 1,5°C e discutem como ajudar nações vulneráveis às mudanças climáticas.


Mas como, de fato, funcionam essas negociações, com que frequência acontecem e quem decide o que está na mesa. Entenda abaixo.

Com que frequência acontece uma COP?
A COP é realizada anualmente, geralmente entre os meses de novembro e dezembro.

A primeira, a COP 1, aconteceu em Berlim, na Alemanha. A última foi em Glasgow, na Escócia.

Como é escolhido o país-sede da COP?
Todo ano, uma determinada parte, como são chamados os países ou organizações regionais que participam da cúpula, é eleita para presidir e sediar o evento. Esta é a vez do Egito, que decidiu sediar a cúpula na cidade de Sharm el-Sheikh.

No próximo ano, por exemplo, a COP será nos Emirados Árabes Unidos, já que há uma rotatividade de 5 grupos regionais da ONU na escolha: países da África, América Latina e Caribe, Ásia e Pacífico, Europa Ocidental e Europa Oriental.



O que acontece antes de uma COP?
Antes de qualquer cúpula, representantes dos países signatários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (CQNUMC), o tratado que tem como principal objetivo estabilizar a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera, costumam se reunir em diversos eventos para discutir seus posicionamentos.

Embora esses encontros não sejam obrigatórios, essas oportunidades pré-COP aproximam representantes da sociedade civil, empresas e os tomadores de decisão e dão uma ideia do que esperar da cúpula do ano.

Quem são os negociadores da COP?
São as pessoas que participam da COP junto com suas delegações, ou seja, os negociadores dos governos e grupos, geralmente chefiados por representantes de ministérios do Exterior ou do Meio Ambiente.

"Os negociadores são as pessoas que representam os Estados-Nação. São aqueles que tem a caneta na mão", destaca Marcelo Laterman, porta-voz de Clima e Justiça do Greenpeace Brasil.
O que acontece na COP?
A cúpula se divide em dois momentos bem distintos.

Geralmente, nos primeiros dias, negociações técnicas são feitas entre representantes de governo, cientistas, membros da sociedade civil e outros grupos. Apesar disso, alguns líderes mundiais costumam aparecer nessa primeira semana. Este ano, por exemplo, o premiê do Reino Unido, Rishi Sunak, e o presidente francês, Emmanuel Macron, já estão na cúpula, no segundo dia do evento.

A partir daí, dá para se ter uma noção de o que cada país pretende ceder, não aceitará negociar ou quais serão os pontos de indecisão durante o evento.

Apesar disso, a maior parte das reuniões de chefes de Estado e figurões de alto-nível só acontece mesmo na segunda semana, quando de fato as negociações chegam a um consenso.

É esperado, inclusive, que o presidente eleito Lula chegue em Sharm el-Sheikh justamente na segunda semana da COP 27.

Mas chegar até uma decisão final sobre qualquer tema leva muito tempo. Em Glasgow, na COP passada, por exemplo, o texto final defendendo a redução do uso de combustíveis fósseis teve mais de três rascunhos e só foi aprovado após algumas suavizações nos termos do acordo e um pedido de mudança de última hora feito pela Índia.

"A COP funciona como um espaço de discussão tipo o Congresso", ressalta Laterman. "Temos alguns lobbies agindo, representantes da sociedade civil... O Greenpeace, por exemplo, chega com um posicionamento claro, o chamado Policy Briefing, que são demandas específicas e gerais. E a gente conversa, apresenta as propostas. É um embate político internacional".




Como são feitas as negociações da COP?
Ao longo das duas semanas de cúpula, os representantes das mais de 190 partes se dividem em grupos e discutem temas específicos.

Para garantir a transparência do processo, essas reuniões costumam ser acompanhadas por observadores, como representantes de agências das ONU, organizações intergovernamentais, ONGs, entidades religiosas e até mesmo a imprensa.

Depois desses encontros, cada grupo geralmente entrega uma proposta que servirá para a construção do texto final da cúpula, elaborada -e amplamente debatida- nos últimos dias do evento, juntamente com chefes de cada representação.

Além dessas negociações, milhares de eventos paralelos como exposições, workshops e palestras acontecem na chamada Zona Verde. Estes eventos ocorrem em dias temáticos e este ano, segundo a ONU, serão divididos nas seguintes áreas: Finanças, Ciência, Jovens e Gerações Futuras, Descarbonização, Adaptação e Agricultura, Gênero, Água, Sociedade Civil, Energia, Biodiversidade e Soluções.

Laterman explica que esses eventos da sociedade civil são importantes para mostrar que a conferência está aberta a ouvir não apenas o alto-escalão dos líderes que se reúnem na cúpula.

"São mesas fundamentais para reverberar as vozes das pessoas que não têm espaço direto para participar dessas discussões", diz.




Quais devem ser os resultados das negociações desta COP?
O texto de consenso final é apresentado no dia da última COP, juntamente com outras decisões tomadas pela cúpula que definirão os próximos passos do mundo no combate à crise do clima.

No caso da COP27, apesar dos esforços e das promessas dos últimos anos, especialistas ouvidos pelo g1 ressaltam que essa não será uma COP dos acordos climáticos históricos. A cúpula de 2022 é tida como uma COP entre COPs, uma cúpula da implementação.

Ou seja, no evento deverão ser discutidos os meios de implementação de programas de mitigação, como são chamados os esforços para reduzir a concentração de gases de efeito estufa, acordos de perdas e danos – como compensar os países já afetados pela crise - e de financiamento à nações vulneráveis às mudanças climáticas.

Por Redação

Fonte G1.com

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