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Exército da Rússia ameaça fuzilar os desertores na Ucrânia, de acordo com o governo britânico

'Unidades de bloqueio' foram formadas para impedir a fuga de soldados, em meio ao moral baixo das tropas russas


Com o moral das tropas em baixa após mais de oito meses de guerra na Ucrânia e sem a perspectiva de um final para o conflito, é crescente o número de soldados russos que tentam fugir do campo de batalhas. Para conter os desertores, Moscou criou grupos de contenção que ameaçam fuzilar os próprios colegas. A informação foi divulgada pelo Ministério da Defesa do Reino Unido e reproduzida pela revista Newsweek.


De acordo com a avaliação britânica, “unidades de bloqueio” foram estabelecidas na retaguarda das formações russas para impedir as deserções. “Essas unidades ameaçam atirar em seus próprios soldados em retirada para forçar ofensivas, e foram usadas em conflitos anteriores pelas forças russas”, diz o Ministério.

A ordem nas forças armadas da Rússia é manter as posições atuais “até a morte”, o que levou os generais a vetarem a retirada de tropas mesmo quando se encontram em posições extremamente desfavoráveis. De acordo com a análise, isso “provavelmente atesta a baixa qualidade, o moral baixo e a indisciplina das forças russas”.


Joel Hickman, vice-diretor do programa de Defesa e Segurança Transatlântica do think tank Centro de Análise de Políticas Europeias (CEPA), concorda com a avaliação. “Os militares russos estão exaustos e com pouca moral. Eles arcam com enormes custos em termos de baixas e deserções no campo de batalha, com algumas estimativas sugerindo que podem chegar a 80 mil”, disse ele.


“Este é um número extraordinariamente alto para um conflito moderno de oito meses, e esses números são impossíveis de sustentar, mesmo com mobilização em massa”, avalia Hickman.


A avaliação do governo britânica foi publicada no Twitter. “Recentemente, generais russos provavelmente queriam que seus comandantes usassem armas contra desertores, incluindo possivelmente autorizar tiros para matar esses inadimplentes após um aviso ter sido dado. Os generais também provavelmente queriam manter posições defensivas até a morte”, diz um dos posts.


Não ajuda o fato de o Kremlin ter adicionado recentemente 300 mil novos combatentes com base na mobilização parcial emergencial anunciada pelo presidente Vladimir Putin em setembro. São frequentes os relatos de que esses reservistas vão ao campo de batalhas após alguns poucos dias de treinamento, despreparados para enfrentar um exército motivado e cada vez mais bem equipado como o ucraniano.


Do lado russo, ao contrário, o Reino Unido afirmou nesta semana que faltam armas e veículos blindados modernos, resultado das derrotas acumuladas nos últimos meses. De acordo com a projeção britânica, a Rússia chegou a perder uma média de 40 blindados por dia, forçando o exército a recorrer a modelos mais antigos, inclusive alguns fornecidos por Belarus, um país aliado.


Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, admitiu em outubro a escassez de equipamento, atrelando o problema à chegada dos 300 mil novos soldados. Segundo ele, um grupo de trabalho foi formado para tratar da questão, e Putin nomeou o primeiro-ministro russo Mikhail Mishustin para chefiar o debate.


Ao menos cem mortos

Ao menos cem dos novos recrutas morreram a serviço do exército, de acordo com levantamento do jornal independente Novaya Gazeta Europe. As mortes nem sempre ocorreram em combate. Entre os recrutas identificados, 23 morreram durante a fase de preparação, por causas variadas: doença, acidente, briga, consumo excessivo de álcool e suicídio.


Soma-se a isso o fato de que esses homens enviados à guerra geraram uma severa redução da força de trabalho no território russo. Sem falar nos outros tantos que têm se escondido dentro do próprio país ou fugiram para o exterior a fim de evitar os recrutadores. Dessa forma, o cenário na Rússia é de insatisfação generalizada, um problema que tende a crescer com o tempo e dar uma dor de cabeça enorme a Putin.


Tanto que no início desta semana o presidente anunciou o fim do recrutamento, sob o argumento de que supostamente atingiu os 300 mil recrutas pretendidos. Ainda assim, muitos cidadãos dizem não acreditar na afirmação e preferem continuar se escondendo do governo.


“Não confio no que dizem. As regras simplesmente não são seguidas”, disse um homem que se identificou apenas como Nikita, de 27 anos, mantendo o sobrenome em sigilo para não ser identificado. Ele afirmou que continuaria a evitar os agentes do governo, mediante relatos de pessoas que teriam sido recrutadas mesmo após o anúncio do fim da mobilização em várias regiões do país. 

Por Redação

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