O senador Valdir Raupp (PMDB) e o ex-deputado federal Carlos Magno (PP), de Rondônia, negaram qualquer envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras revelado pela Operação Lava Jato. Os políticos estão na lista das 49 pessoas que serão investigadas pela Procuradoria Geral da República. A abertura do inquérito foi autorizada pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), na sexta-feira (6).
Raupp será investigado por ter supostamente sido beneficiado com verbas irregulares da Petrobras. Em delação, Alberto Youssef afirmou que operacionalizou o pagamento de R$ 500 mil para a campanha ao Senado de 2010 do parlamentar. O valor, segundo o doleiro, teria saído da cota do PP e seria decorrente de sobrepreços em contratos da Petrobras.
Por meio de nota, o senador informou que "aguarda com serenidade a divulgação dos motivos que levaram seu nome a figurar na referida lista". Raupp disse que acompanhará as diligências "absolutamente seguro de que, ao final, as provas conduzirão à verdade dos fatos".
Já Carlos Magno foi apontado como integrante de um grupo de parlamentares e ex-parlamentares de menor expressão dentro do PP que, segundo Youssef, recebiam repasses mensais entre R$ 30 mil e R$ 150 mil da "cota" da legenda no esquema de corrupção que atuava dentro da Petrobras.
O ex-deputado alegou desconhecer os envolvidos na Operação Lava Jato e disse estar "surpreso" com a decisão. Segundo ele, as doações recebidas pelo diretório estadual da legenda são legais e declaradas à Justiça.
A lista
Na lista de 49 pessoas, enviada ao STF pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, 47 são políticos. Entre os que serão investigados, há 22 deputados federais, 12 senadores, 12 ex-deputados e uma ex-governadora, pertencentes a cinco partidos, além de dois dos chamados "operadores" do esquema – o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e lobista Fernando Soares, o "Fernando Baiano".
A presidente Dilma Rousseff e o senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB, foram citados em depoimentos de delatores, mas tanto a Procuradoria Geral da República quanto o ministro Zavascki entenderam que a investigação em relação a ambos não se justificava.
O PP é o partido com mais políticos entre os que responderão a inquéritos (32). Em seguida, vêm PMDB (sete), PT (seis), PSDB (um) e PTB (um). Não há governadores de estado na lista.
Teori Zavascki retirou o segredo de justiça de todos os procedimentos de investigação. Segundo ele, não existe "interesse social" no sigilo das informações. "Pelo contrário: é importante, até mesmo em atenção aos valores republicanos, que a sociedade brasileira tome conhecimento dos fatos relatados", argumentou o ministro do Supremo

