Uma testemunha relata ter permanecido algumas semanas na aldeia, em atividade profissional não revelada, e afirma ter presenciado cenas de violência sexual. Em um dos áudios obtidos pelo jornal Cool do Mundo, um homem diz: “Crianças chegam machucadas nos atendimentos médicos”. O interlocutor reage: “E ninguém está fazendo nada.
A negligência é geral”. Outro questiona: “Há materialidade?”. A resposta é positiva, mas ressalta que seria necessário infiltração de agentes federais para promover flagrantes e exames de corpo de delito. Por se tratar de área da União, a competência para investigar o caso é da Polícia Federal. Até o momento, porém, não há registro de denúncia formal. Segundo um denunciante, “muita gente vê e sabe o que acontece na aldeia, que fica a cerca de 80 km de Ji-Paraná.
Muitos têm medo de enfrentar o problema, pois até traficantes de drogas estariam envolvidos”. O nome da testemunha não foi divulgado, em respeito ao direito constitucional de sigilo da fonte (CF/88, art. 5º, XIV). Os áudios indicam que servidores públicos têm conhecimento dos supostos crimes. Indígenas de outras etnias — inclusive um com influência no Governo Federal — também estariam cientes, mas evitam agir por medo de represálias. “Alguns veem isso como prática cultural e não enxergam problema. É uma questão muito delicada”, afirmou um indigenista ouvido em Brasília.
O problema, segundo relatos, não se restringe a membros da comunidade. Apesar do difícil acesso, o território é frequentado por não indígenas, e há denúncias de meninas sendo seviciadas em situações que implicariam drogas.
Não há confirmação sobre isso, mas Oficialmente, os Zoró somam 711 pessoas, distribuídas em 24 aldeias – o caso ora denunciado atingiria pelo menos duas delas. A área foi homologada em 1991, com 355.789 hectares reconhecidos como de ocupação tradicional. Historicamente, os Zoró são um povo guerreiro, que já enfrentou Suruís e Cinta-Largas.
O nome atual deriva de “monshoro” (cabeçaseca), termo depreciativo dado pelos Suruís, inimigos no passado. Hoje, os Zoró se autodenominam Pangyjej, mas utilizam “Zoró” em registros civis e relações com não indígenas. Diante da ausência do Estado e da omissão de autoridades, a testemunha resume: “A coisa está feia. São dezenas de vítimas, crianças em idade escolar iniciadas sexualmente por adultos e servidas a visitantes”.
Fonte - Jornal o Cool do Mundo.
Fonte Original da matéria Portal Princesa Web

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