A discussão sobre as rotatórias implantadas em Rolim de Moura não deve ser encarada como uma crítica à administração municipal, tampouco como uma tentativa de absolver o comportamento imprudente de muitos condutores. A verdadeira reflexão é outra: as rotatórias estão, de fato, cumprindo o objetivo de reduzir os acidentes de trânsito nos cruzamentos da cidade?
É louvável a iniciativa do Poder Executivo em buscar alternativas para diminuir a velocidade em pontos considerados perigosos. No entanto, para que medidas dessa natureza sejam realmente eficazes, é indispensável que sejam embasadas em estudos técnicos e em dados concretos.Nesse contexto, órgãos como o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar e a Polícia Científica possuem informações valiosas sobre os locais com maior incidência de acidentes, os horários mais críticos e as circunstâncias em que essas ocorrências acontecem. Esses levantamentos podem subsidiar decisões mais eficientes na elaboração de políticas públicas voltadas à segurança viária.
Contudo, a solução não pode se limitar apenas à instalação de dispositivos físicos nas vias. A segurança no trânsito depende também de ações permanentes de educação, conscientização e fiscalização. Campanhas educativas voltadas aos condutores são fundamentais para reforçar o respeito às normas de circulação e estimular uma cultura de preservação da vida.
Rolim de Moura conta com a Coordenadoria Municipal de Trânsito (COMTRAN), que pode desempenhar um papel ainda mais ativo na orientação dos usuários das vias. Infelizmente, é comum observar práticas que desrespeitam a legislação de trânsito, especialmente nas rotatórias. Em muitos casos, ao invés de reduzir os acidentes, esses locais têm registrado colisões cada vez mais graves, algumas delas com vítimas fatais.
Na prática, muitos motoristas deixam de respeitar a sinalização de “Dê a Preferência”. Em vez de reduzir a velocidade, aceleram para atravessar primeiro, ignorando um dos princípios mais importantes do Código de Trânsito Brasileiro: a preservação da vida e da integridade física.
Esse cenário demonstra que a simples instalação de rotatórias não é suficiente para mudar comportamentos. É necessário o comprometimento contínuo dos órgãos públicos, por meio de fiscalização, campanhas educativas e ações integradas que promovam um trânsito mais seguro e humano.
A realidade é que o trânsito de Rolim de Moura tem imposto perdas irreparáveis a muitas famílias. Cada acidente representa não apenas prejuízos materiais, mas também sofrimento, sequelas e, em alguns casos, vidas interrompidas precocemente.
Por isso, vale uma reflexão. Esperar alguns segundos para entrar em uma rotatória com segurança sempre será uma escolha melhor do que passar meses aguardando uma cirurgia ou conviver para sempre com as consequências de um acidente.
Mais do que discutir infraestrutura, é preciso fortalecer uma cultura de responsabilidade e respeito mútuo. Afinal, o direito de ir e vir deve caminhar lado a lado com o direito mais importante de todos: o direito à vida.
Por Lúcio Edgard Johns Figueiredo Cuellar

0 Comentários